mitos na Microbiologia

Os mitos na Microbiologia



Existem muitos mitos na Microbiologia que circulam pela sociedade.Um dos mitos mais famosos é que microrganismos são sinônimos de doença.

Um pouco dos mitos na Microbiologia

mitos na Microbiologia

As pessoas tendem a associar o desconhecido a algo negativo. E como a Microbiologia é uma ciência recente, o conhecimento popular acerca do tema é bem limitado. O que leva a propagação de informações incorretas, como a associação de que microrganismos é doenças.

Apesar de vários micróbios serem os causadores de diversas doenças, eles também apresentam inúmeros benefícios para natureza e para a humanidade.

Nós apresentamos uma grande quantidade de microrganismos no nosso corpo que nos são vantajosos. Seja para digerir um alimento específico que não conseguimos sozinhos, ou até para nos proteger de possíveis doenças.

Por exemplo, eles podem competir com novas bactérias patógenas por nutrientes, e por estarem em maior quantidade, podem “vencer” essa espécie intrusa.

Cada vez mais os pesquisadores descobrem benefícios associados à nossa microbiota residente (conjunto de microrganismos que habitam nossos tecidos saudáveis).

Outro grande mito relacionado à mitos na microbiologia é o que diz respeito a antibióticos curarem viroses. Como o nome já sugere, as viroses são causadas por vírus, como o caso da gripe causada pelo vírus Influenza.

Já os antibióticos têm como função matar apenas bactérias, e não vírus. Não sendo recomendado o uso destes em uma situação de resfriado, por exemplo, podendo até trazer malefícios juntamente com o fato de não curarem a virose.

Bom, agora após esta breve introdução, vamos conhecer alguns mitos na microbiologia:

Regra dos cinco segundos e pão mofado

Microrganismos em alimentos

A famosa “Regra dos cinco segundos” não deveria ser tão famosa. O fato de você pegar a comida que caiu no chão em até cinco segundos estar relacionado a uma não contaminação daquele alimento é bastante incorreto.

Saiba que não faz diferença você pegar em um, cinco ou trinta segundos. Afinal o alimento vai se contaminar, já que o chão é um local em que há presença de diversos microrganismos. E o contato imediato é suficiente para que eles acabem indo junto com o alimento.

A regra só seria para evitar que mais microrganismos alcançassem o alimento, e não para impedi-los. Alguns fatores que poderiam influenciar a quantidade de bactérias, por exemplo, seria o tipo de superfície e o tipo da comida. Aliás, quanto mais úmido a comida, mais rápida a contaminação.

Aquela outra história de que tirar o pedaço que está mofado do pão, por exemplo, e comer o restante não faz mal é uma grande mentira. Essa atitude pode até levar a uma intoxicação alimentar. Saiba mais sobre este tema no artigo: Higiene alimentar.

O mofo é proveniente do fungo, que é um micróbio e como o nome já diz, é um organismo microscópio, ou seja, que não é visto a olho nu. Quando é possível ver tal mofo é porque o fungo já está espalhado em uma quantidade significativa.

Dessa forma, a outra parte do alimento que o mofo não é visto, está cheia de microrganismos que se consumidos podem gerar sérios danos à saúde.

Bolo contaminado ao assoprar as velas e pasteurização traz prejuízos

mitos na Microbiologia

A hora do parabéns é a mais esperada pelas crianças, enquanto para os adultos pode ser a mais temida.

De fato, as crianças acabam cuspindo um pouco sobre o bolo na hora de assoprar as velas. Porém não fica todo contaminado, pois a carga microbiana é muito baixa, sendo insuficiente para levar a uma contaminação.

Também porque os microrganismos que vão junto com o sopro, se dispersam pelo ar. E alguns deles podem nem ser patogênicos aos humanos nessa quantidade tão baixa caso atinjam o bolo.

Sendo seguro comer após alguém assoprar as velas, mesmo sendo um pouco nojento ver a saliva indo junto.

Um dos muitos mitos na Microbiologia que circula por aí, é o de que a pasteurização não seria algo bom. Pois o ato de pasteurizar acabaria com os nutrientes e proteínas presentes no leite. Além de eliminar microrganismos que seriam bons para nós seja na digestão ou no sistema imunológico. Afinal, somente o que é natural faz bem.

Esse pensamento é atrasado, pois o processo de pasteurização costuma deixar os nutrientes em sua forma normal. E é feito mais para eliminar os microrganismos que podem eventualmente causar alguma doença, como as bactérias E. coli e Salmonella.

Podendo levar a uma série de sintomas, se o leite for consumido sem ter passado pelo processo de pasteurização.

Assento Sanitário é o lugar da casa com mais bactérias

mitos na Microbiologia

Muitas pessoas têm certo nojo de assentos sanitários, por eles serem um local para serem realizadas as necessidades fisiológicas. Mas é um engano acreditar que são eles que abrigam a maior quantidade de bactérias.

Por ser um local onde as necessidades fisiológicas são realizadas, é habitual limpar com produtos fortes como a água sanitária. O que acaba eliminando bastante os microrganismos ali presentes.

Já a outros acessórios e locais, que não é dada a mesma atenção. Acumulando um número muito maior de micróbios, principalmente os nocivos á saúde humana.

O teclado de computador, o interruptor, a esponja e o dinheiro são locais onde mais são encontrados microrganismos. Por serem limpos com pouca frequência, tendendo a ser um ambiente acessível para as bactérias formarem colônias.

Saindo de dentro de casa e indo para um local muito frequentado e de alta rotatividade, podemos citar os supermercados. Os carrinhos utilizados para colocar os alimentos a serem comprados, são lotados de microrganismos.

Pois, diversas pessoas usam e o local onde se põe as mãos para empurrar não é higienizado como deveria.

Sendo assim, muitas vezes o que é transmitido pelas pessoas não é verdadeiro ou aquela informação não é cientificamente comprovada. Passada de leigos para leigos, se tornando um dos mitos na Microbiologia na sociedade.

Algumas dicas para o dia a dia:

  • O lixinho que fica na pia, sendo limpo diariamente e tampado não é problema;
  • O pano que usamos na pia, caso seja lavado e secado após o uso está liberado;
  • A esponja da pia, após usada deve ser levada retirando até restos de detergente. Retire o máximo de água e deixe em um local seco. Uma vez na semana deixe-a úmida no microondas por 1min50seg. É importante que esteja úmida para não pegar fogo;
  • Tábua de madeira, após o uso lave-a e seque bem e em seguida guarde-a em um local seco. Uma vez na semana aplique uma solução que contenha cloro;
  • Mesmo que o alimento tenha um aspecto bom e cheiro agradável pode lhe fazer mal. Cuide a higiene do local, prazo de validade, etc…;
  • Nem sempre o último alimento é o culpado por deixar alguém doente. Algumas comidas levam de 30 minutos a 6 semanas para manifestar sintomas;
  • O melhor momento de lavar frutas, verduras ou legumes é um pouco antes do consumo.

Veja esta vídeo sobre o assunto:

Para baixar:

Slides para apresentação em aula:

Apresentação pronta – Grátis

 

Referências bibliográficas:

MISRA, Ria. “A regra dos 5 segundos continua não funcionando”; GIZMODO Brasil. Disponível em < http://gizmodo.uol.com.br/regra-dos-5-segundos-nao-funciona/ >. Acesso em 09 de abril de 2018.
MOREIRA, Patricia. “Ih, o pão mofou!”; FIOJOVEM. Disponível em < https://www.fiojovem.fiocruz.br/content/ih-o-p%C3%A3o-mofou >. Acesso em 09 de abril de 2018.
ROBSON, David. “O que é mito e o que é verdade sobre os alimentos mais comuns”; BBC Brasil. Disponível em < http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151031_vert_fut_mitos_alimentos_ml >. Acesso em 09 de abril de 2018.
FAZEM COM. “NOTÍCIAS – HIGIENE ALIMENTAR: 3 MITOS SOBRE BOLORES E LEVEDURAS”; Ambifood. Disponível em < https://www.ambifood.com/pt/noticias/higiene-alimentar-3-mitos-sobre-bolores-e-leveduras/ >. Acesso em 09 de abril de 2018.
ABRAHÃO, Taís; MONTEIRO, Rosana. “Especialista da bioMérieux orienta como se proteger no ambiente doméstico e com medidas simples de microrganismos que fazem mal à saúde”; BioMérieux. Disponível em < http://www.biomerieux.com.br/conheca-10-mitos-sobre-microbiologia-de-alimentos >. Acesso em 09 de abril de 2018.

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P. Dawson; I. Han; M. Cox; C. Black; L. Simmons. “Residence time and food contact time effects on transfer of Salmonella Typhimurium from tile, wood and carpet: testing the five‐second rule”; Wiley Online Library. Disponível em < https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1365-2672.2006.03171.x >. Acesso em 09 de abril de 2018.
Corry, J.E. and Atabay, H.I. (2001Poultry as a source of Campylobacter and related organismsSym Series Soc Appl Micro 30, 96S–114S.
Schaffner, Donald. “Rutgers Researchers Debunk ‘Five-Second Rule’: Eating Food off the Floor Isn’t Safe”; Rutgers Today. Disponível em < https://news.rutgers.edu/rutgers-researchers-debunk-%E2%80%98five-second-rule%E2%80%99-eating-food-floor-isn%E2%80%99t-safe/20160908#.WsuQB4jwaUn >. Acesso em 09 de abril de 2018.

E para finalizar, mais links sobre o assunto:



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Diego Lopes

Técnico em Enfermagem em Site
Formado em Técnico em Enfermagem com eixo tecnológico em ambiente e saúde.
Qualificação profissional em APH - Atendimento Pré-Hospitalar na qualidade de aluno.
Certificado de Honra ao mérito do Coren-RS como aluno que apresentou o melhor desempenho no curso.
Escritor nas horas vagas e fundador do site www.tecnicoemenfermagem.net.br.
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