Hanseníase e a campanha Janeiro roxo

Hanseníase e a campanha Janeiro roxo



A Hanseníase, é a campanha no mês de Janeiro, o nome dela é Janeiro Roxo. E você, sabe o que é Hanseníase?

Entendendo a Hanseníase

Esta doença que também é conhecida como Lepra, Morfeia, Mal de Hansen ou Mal de Lázaro é infecciosa e tem sua causa provida da bactéria Mycobacterium leprae. Este microrganismo causa lesão nos nervos (neurite) que se localizam na periferia de nosso corpo e na pele.

E, por isso, é uma doença dermato neurológica. Saiba mais sobre microrganismo no artigo: Características dos principais grupos de microrganismos.

Estes distúrbios diminui a sensibilidade da pele causando lesões (arredondadas, parda, avermelhadas e esbranquiçadas).

Os locais que normalmente aparecem são: mãos, rosto, orelhas, pés, braços, olhos, nádegas, costas e pernas. Contudo, atinge também cílios, sobrancelhas, planta dos pés e interior do nariz.

O que torna a Hanseníase diferente das demais doenças de pele é o fato do enfermo perder a sensibilidade, a temperatura, a dor e até pressão no local da ferida.

No Brasil o nome da doença era Lepra, porém foi trocado para Hanseníase por causa do preconceito.

Sobre a bactéria Mycobacterium leprae

Mycobacterium leprae

Responsável pela Lepra, tem seu crescimento significativamente mais lento ao comparar as demais bactérias.

Este bacilo possui tamanho média entre 0,3μm a 0,5μm em seu diâmetro e seu comprimento de 4μm a 7μm. Esta bactéria prefere os locais mais gelados do corpo pois para o seu crescimento é necessário uma temperatura média de 30ºC.

Ela também possui a vantagem de viver dentro de macrófagos. É patógena onde sua virulência protege o bacilo de formas tóxicas de O2.

Ela é uma micobactéria que parasita as células de Schwann e os macrófagos, ou seja, os que forma a mielina dos nervos. Ao ocasionar a destruição da mielina o indivíduo perde o tato no local.

O local que atinge são células nervosas e da pele. A forma de contaminação acontece através de secreções (saliva ou contato íntimo) e pelas vias respiratórias.

A sua incubação é lenta e pode levar de dois a sete anos para manifestar no organismo.

Um resumo histórico da Hanseníase

Hanseníase história

Existem fatos históricos que incluem esta enfermidade ao título de uma das mais antigas aos humanos.

A.C.

1350 a.C. – primeiros relatos da Hanseníase;

1800

1873 – Oficialmente registrada neste ano. O médico Gerhard Armauer Hansen identificou o bacilo;

1900

1954 – Escolhido o Dia mundial do Hanseniano pela ONU com a motivação de Raul Fourreaux;
1962 – No Brasil, os enfermos tinham seus pertences queimados e eram internados de forma compulsória;
1976 – Foi trocado o nome da doença para Hanseníase;
1985 – Foram registrados pela OMS 5,4 milhões de casos;
1991 – O governo brasileiro assina um termo de compromisso com o mundo. A meta era erradicar a doença até 2010;

2000

2007 – Redução de 40,1 mil casos novos diagnosticados.
2008 – Os registros da Hanseníase chegavam há 200 mil;
2009 – A lei nº 12.135/2009 foi criada. O objetivo da lei é alertar para o controle da enfermidade e a significância do diagnóstico;
2010 – O compromisso firmado em 1991 não é atingido;
2011 – O Brasil registra 33 mil casos e é considerado o pais com maior índice na América Latina;
2015 – Foi definido a cor roxa para simbolizar o busca pela cura da Hanseníase no País;
2016 – Registro de 25,2 mil casos novos. Por mais que os números diminuíram, o Brasil ocupa o 2º lugar no ranking mundial de novos casos de Hanseníase;
2017 – Único país a considerar a Hanseníase como um problema de saúde pública.

Mesmo que seja por falta de conhecimentos específicos, no passado portadores de Hanseníase sofriam também com preconceito. A associação era ao pecado, desonra e impureza.

E a forma de tratamento era praticamente um exílio, pois, os enfermos eram excluídos da sociedade.

Eram proibidos de ir em qualquer ambiente social, precisavam usar roupas e luvas específicas e um sino para anunciar sua presença.

Condições precárias de higiene é o principal fato para adquirir a doença, ou seja, as regiões carentes do nosso País – saiba mais no artigo: Higiene da habitação, é importante?

Claro que assim como o Brasil existem mais países com este problema, como por exemplo: Madagascar, Miamar, índia, China, Japão, Nepal e Moçambique.

O detalhe que podemos perceber é que a grande maioria são países de clima temperado, subtropical ou tropical.

Dia mundial do Hanseniano

Em 1954, a ONU escolheu o último domingo do mês de janeiro para lembrar ao combate a Hanseníase até que a cura pudesse estar acessível a qualquer um.

Nesta data busca-se também o fim do preconceito aos portadores.

Acredita-se que 90% da população nacional seja imune, ou seja, a Hanseníase tem baixa patogenicidade.

Conheça os tipos da doença

Tipos de lepra

O tipo será relativo ao organismo da pessoa infectada pois é baseado na resposta de imunidade. Conheça agora os quatro tipos da doença:

Indeterminada

É o começo da doença que de forma espontânea evolui para um cura. Isso ocorre quando o hospedeiro consegue combater a bactéria pelo seu sistema imunológico.  Acontece corriqueiramente em crianças e representa 90% dos casos.

Hanseníase tuberculóide ou paucibacilar

Considerada a forma mais benigna, atinge os indivíduos com uma resistência alta ao bacilo. Em um entendimento mais simplificado, o sistema imunológico não destrói mas também não deixa espalhar pelo corpo. Isso acontece quando existe poucos bacilos.

Hanseníase borderline ou dimorfa

É o tipo intermediário da Hanseníase com a imunidade também intermediária.

Hanseníase multibacilar, lepromatosa ou virchowiana

É um tipo mais grave e contagioso. Ela existe em indivíduos que não possuem um sistema imunológico capaz de conter o aumento da bactéria.

Animais podem transmitir aos humanos?

tatu hanseníase

Pode, mas é muito difícil de isto acontecer. São somente algumas espécies que podem carregar esta bactéria, são elas: macaco cinomolgo, macaco mangabey, chimpanzé africano e tatu.

No dia 24 é comemorado o Dia do Hanseniano; e no dia 29 o Dia Mundial de Combate à Hanseníase.

Sobre grupos de risco, existem?

A maior incidência relatada pelos profissionais da saúde acomete os homens, inclusive pode causar impotência e/ou esterilidade. Porém, crianças tem mais propensão para adquirir a enfermidade. Claramente que manter contato íntimo e/ou prolongado com portadores de Hanseníase torna-se a principal forma de risco.

Não existe necessidade de isolar um paciente após começar o tratamento, pois ao consumir a primeira dose a bactéria não será mais transmitida por volta de 4 dias.

É importante que os familiares que convivem com portadores de Hanseníase façam uma avaliação em uma UBS para garantir que não estejam portando a bactéria.

Existe cura ou tratamento?

medicamento hanseníase

Felizmente existe, mas Bom, não existe uma vacina. Contudo, é necessário uma dedicação do enfermo para realizar o tratamento de forma correta.

Parece lógico a necessidade do empenho do paciente, porém, é justificado a ênfase na dedicação do tratamento correto quando entendemos que o período de uso de Poliquimioterapia (PQT) é de 6 meses até 1 ano.

O PQT (Dapsona, Rifampicina e Clofazimina) são antibióticos de aplicação oral que tem como objetivo acabar com o aumento da doença até a eliminação total da bactéria. Após iniciado o tratamento, a doença deixa de ser transmissível por volta de 4 dias.

De forma acessível e gratuita o SUS fornece o tratamento completo. Claro, que as doses serão vigiadas nas UBS ou ESF na supervisão de profissionais da saúde. Em casos de gravidez, deve-se informar o médico antes de iniciar o tratamento.

Pode ocorrer complicações no decorrer do tratamento, caso aconteça o paciente deve ser encaminhado para centros de referências.

Normalmente acomete 25% dos pacientes algum tipo de reação adversa. A internação ocorrer em casos graves onde existe efeitos colaterais aos medicamentos ou necessidade de cirurgias.

A prevenção da Hanseníase é muito tranquila: basta ter uma boa alimentação, praticar exercícios, ter uma boa higiene corporal e o diagnóstico precoce. Sabia mais sobre higiene corporal no artigo: Hábitos de higiene corporal: 5 dicas recomendadas pela Anvisa.

Existe uma nova tecnologia para diagnosticar a Hanseníase sem necessitar de biópsia! Este método inovador é mais rápido, não invasivo e indolor para obter amostra. Para saber mais, acesse: Universidade Estadual de Campinas.

Veja um vídeo do Ministério da Saúde sobre o assunto:

Aos profissionais da saúde, o que devemos entender?

A hanseníase precisa de uma notificação compulsória e investigação de forma obrigatória.

Veja também:

Dados epidemiológicos da Hanseníase no Brasil

Para baixar:

Slides para apresentação em aula:

Apresentação pronta – Grátis

 

Saiba mais sobre esta doença nos seguintes links:

Sociedade Brasileira de Hansenologia

Fanpage – Todos contra a hanseníase

Mascote da campanha



Logo da campanha

Podcast

Folder

Folder do IMIP

Cuidados de enfermagem

técnica em enfermagem hanseníase

Os cuidados começam já consulta. E nela que o enfermeiro inicia a investigação dos sintomas, tentando entender quando começou a redução da sensibilidade e o formigamento. Identificando os fatores ambientais que ocasionaram a Hanseníase na residência e/ou comunidade em que a pessoa vive.

Análise das manchas, nódulos, placas, ulceras, alopecia e calos. Após é realizado os curativos e imobilizações necessárias conforme a gravidade e avanço da doença. Prevenindo qualquer incapacidade física.

Em seguida, explicar e orientar a pessoa sobre a necessidade de manter o tratamento até o final de forma rigorosa. Após, pedir que as pessoas que convivem com ela façam um teste para ter a certeza de que não contrariam a Hanseníase.

E, por fim, agendar um retorno ao ESF ressaltando a necessidade de trazer consigo as todas as cartelas de medicações, inclusive as vazias. Antes que o paciente se despeça, é importante ele entender os efeitos colaterais que podem surgir da medicação. E que sempre que sentir dúvida voltar ao ESF para maiores esclarecimentos.

Como estes pacientes possuem uma doença com notificação compulsória, é imprescindível que visitas domiciliares sejam feitas. Assim as chances de abandono são reduzidas e caso necessário, realizar a busca dos que faltaram ao programa.

No ESF os procedimentos são:

  • requisitar as medicações;
  • realizar a coleta para exame laboratorial;
  • cuidados básicos de saúde;
  • aplicar técnicas de A.V.D (atividades da vida diária);
  • aplicar procedimentos semiotécnicos;
  • controlar os doentes e os seus contatos com prevenção e tratamento;
  • realizar o teste de Mitsuda;
  • Medidas profiláticas de assepsia, desinfecção e esterilização quando necessário;
  • Identificar de forma precoce qualquer tipo de complicação;

Como faço para saber mais sobre o tema?

Bom, a UNA-SUS e a Secretaria de Vigilância à Saúde oferecem um curso EAD sobre Hanseníase na Atenção Básica. O curso foi criado para capacitar todos os profissionais que atende doentes acometidos pela Hanseníase. O link para maiores informações é: Curso EAD – Hanseníase na Atenção Básica.

Referências bibliográficas:

Wikipedia. Mycobacterium leprae. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Mycobacterium_leprae>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
Minuto Saudável. O que é Hanseníase (Lepra), sintomas, tratamento e transmissão. Disponível em: <https://minutosaudavel.com.br/o-que-e-hanseniase-lepra-sintomas-tratamento-e-transmissao/>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
Info Escola. Hanseníase (Lepra). Disponível em: <http://www.infoescola.com/doencas/hanseniase-lepra/>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
Tua Saúde. Sintomas e Como se pega a Lepra. Disponível em: <https://www.tuasaude.com/lepra/>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
Dráuzio. HANSENÍASE (LEPRA). Disponível em: <https://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/hanseniase-lepra/>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
MD Saúde. HANSENÍASE (LEPRA) – SINTOMAS, CAUSAS E TRATAMENTO. Disponível em: <https://www.mdsaude.com/2009/11/hanseniase-lepra.html>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
Sociedade Brasileira de Dermatologia. O que é?. Disponível em: <http://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/hanseniase/9/>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
MedLine Plus. Leprosy. Disponível em: <https://medlineplus.gov/ency/article/001347.htm>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.

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WebMD. Leprosy Overview. Disponível em: <https://www.webmd.com/skin-problems-and-treatments/guide/leprosy-symptoms-treatments-history#2>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
Blog da Saúde. Conheça mais sobre os sinais e sintomas da Hanseníase. Disponível em: <http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/52287-conheca-mais-sobre-os-sinais-e-sintomas-da-hanseniase>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
Minha Vida. Hanseníase: sintomas, tratamentos e causas. Disponível em: <http://www.minhavida.com.br/saude/temas/hanseniase>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
Época. Por que o Brasil não consegue eliminar a hanseníase. Disponível em: <http://epoca.globo.com/saude/check-up/noticia/2017/11/por-que-o-brasil-nao-consegue-eliminar-hanseniase.html>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
Brasil Escola. Hanseníase. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/doencas/hanseniase.htm>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.
Gazeta da Cidade. Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase e o Janeiro Roxo. Disponível em: <http://www.gazetadacidade.com/colunistas/dia-nacional-de-combate-e-prevencao-da-hanseniase-e-o-janeiro-roxo/>. Visualizado em 01 de fevereiro de 2018.

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Web Artigos. A Importância Da Assistência De Enfermagem Ao Portador De Hanseniase. Disponível em: <https://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-da-assistencia-de-enfermagem-ao-portador-de-hanseniase/7672>. Visualizado em 04 de fevereiro de 2018.
Portal Educação. Atribuições do enfermeiro no programa da Hanseníase. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/enfermagem/atribuicoes-do-enfermeiro-no-programa-da-hanseniase/36899>. Visualizado em 04 de fevereiro de 2018.
Jornal da EAD. O papel da enfermagem no cuidado ao paciente com Hanseníase. Disponível em: <http://www.jornadaead.com.br/cofen/atualizacoes/Atualizacao_21-O_papel_da_enfermagem_no_cuidado_ao_paciente_com_Hanseniase-NT1-UE5.html>. Visualizado em 04 de fevereiro de 2018.
Leopardi MT. Teoria e método em assistência de enfermagem. Florianópolis: Soldasoft; 2006.
Talhari S, Neves RG, Penna GO, de Oliveira MLV. Hanseníase. Manaus: Gráfica Tropical; 2006.
Beiguelman B. Genética e Hanseníase. Ciência & Saúde. 2002; 7: 117-28.
Miistério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde. Meta do Ministério da Saúde em relação à hanseníase é de um caso por 10 mil habitantes até final de 2005. Brasília: Ministério da Saúde; 2005.

 

E para finalizar, mais links sobre o assunto:



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Diego Lopes

Técnico em Enfermagem em Site
Formado em Técnico em Enfermagem com eixo tecnológico em ambiente e saúde.
Qualificação profissional em APH - Atendimento Pré-Hospitalar na qualidade de aluno.
Certificado de Honra ao mérito do Coren-RS como aluno que apresentou o melhor desempenho no curso.
Escritor nas horas vagas e fundador do site www.tecnicoemenfermagem.net.br.
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