sir david bruce

David Bruce, Sir

Sir David Bruce
Sir David Bruce

David Bruce, nasceu na cidade de Melbourne na Austrália (29 de maio de 1855), formou-se em medicina (1876 – 1881 em Edinburgh University) e era também bacteriologista oficial da Royal Army Medical Corps.

Filho de pais escoceses, David tinha apenas cinco anos quando sua família voltou da Austrália durante a corrida do ouro que aconteceu no início da década de 1850 para a Escócia.

Lá fixaram residência em Stirling, onde ele frequentou a escola até os catorze anos de idade.

Apesar de Bruce ansiar por se tornar um atleta profissional, pois era um desportista e um boxeador, foi acometido por uma pneumonia aos 17 anos. Impedindo o sonho e fazendo com que retornasse aos estudos.

No período da Guerra da Crimeia (Florence participou desta guerra, saiba mais no artigo Florence Nightingale – A dama da lâmpada) aconteceram diversos casos de febre prolongada, e a primeira suspeita foi de uma infecção nova, ou seja, uma nova doença.

Essa nova infecção espalhou-se aos países do Mediterrâneo. Como uma pequena particularidade, havia muitos casos na ilha de Malta.

Mesmo com tantos casos somente 3 anos depois Marston começou estudos clínicos e autópsias nas pessoas que apresentavam os sintomas.

Em 1883, David conheceu Mary Elizabeth Steele, com quem se casou. O casal posteriormente iniciou uma parceria ao longo da vida em ciência médica.

Afinal, Mary herdara uma habilidade de seu pai para pintar e esboçar com precisão. Isso ajudou muito para esboçar os desenhos de laboratório de tripanosomas e outros organismos.

Após ser assistente em Reigate, David Bruce, entrou para a Army Medical Service (1884) onde realizou pesquisas em Malta alojado no Hospital Valetta.

No ano de 1886, identificou e isolou a Brucella melitensis a partir do baço de um militar, foi à primeira espécie conhecida do gênero.

Brucella melitensis
Brucella melitensis

Essa identificação foi através de um microscópio, onde conseguiu descrever a causa como um “micrococcus” que cresce nos baços dos pacientes. Eventualmente, o organismo foi isolado pelo cientista dinamarquês Bernhard L. F. Bang (1848-1932).

Sobre o micrcoccus

Foram inoculados três macacos com Micrococcus cultivados durante 24 horas. Após dezesseis dias, um macaco atingiu a temperatura de 41ºC e morreu. Como post mortem foi verificado congestionamento do fígado e baço. Todavia sem aumento das manchas de Peyer do intestino característica da febre tifoide.

Mais sete macacos foram inoculados, três por Bruce, e quatro pelo Dr. Hughes. Destes, quatro morreram com os mesmos sintomas que no ser humano, e seus órgãos cresceram o Micrococcus em cultura pura.

O interessante é que eles procuraram pelo organismo de D’Ebert, responsável pela febre tifoide e em vez disso, eles encontraram o micrococcus.

Os outros macacos desenvolveram febre intermitente em dois a três meses, semelhante ao observado no homem.

Baseando-se nestes resultados David Bruce enviou seu relatório ao Instituto Pasteur, em Paris.

O trabalho satisfez todos os postulados que Robert Koch promulgara como sendo necessários para estabelecer a etiologia de uma doença.

Estavam estabelecidas a etiologia da misteriosa febre de Malta. Ele mais tarde sugeriu o nome Micrococcus melitensis para o organismo.

Este trabalho o tornou famoso mundialmente. Por ter sido descoberta em Malta um dos nomes que a doença ganhou foi febre de Malta.

Em 1897, Wright e Semple fizeram um estudo para diagnosticar os enfermos com o Micrococcus melitensis, como mais ajuda era necessária em 1904 foi criada uma comissão comandada pelo Doutor David Bruce.

No ano 1905, o doutor Zammit, que era membro da comissão, percebeu que quase a metade das cabras na ilha de Malta secretava o organismo responsável pela Brucelose no leite. Saiba mais sobre esta doença no artigo Brucelose.

Através desta relação do leite com a contaminação humana foi decretado proibido o consumo. E de forma diretamente proporcional os casos de novos pacientes contaminados foram reduzidos e como consequência o número de mortes também.

Em uma nova etapa de sua vida dedicou cinco anos a ensinar como professor assistente de patologia na cidade de Netley na Inglaterra ainda pela Army Medical Service.

Conciliou nesta mesma época como trabalhador nos laboratórios de Robert Koch em Berlin na Alemanha.

David Bruce na África

Depois de deixar Malta em 1889, fixou residência na África realizando pesquisas em Zululand e Uganda sobre nagana, uma doença comum que afeta animais domésticos.

Bruce e a esposa chegaram a Ubombo, onde viveram durante dois meses em uma cabana de acácia, usando a varanda como laboratório. O magistrado, seu balconista e os Bruces eram os únicos brancos ali. Eles foram cercados por Zulus – que prontamente participou em seu projeto.

Ele descobriu que as moscas tsé-tsé infectadas poderiam transmitir a doença aos seres humanos.

moscas tsé-tsé
Moscas Tsé-tsé

A próxima tarefa para Bruce foi investigar o surto de febre entérica entre as tropas britânicas na África do Sul durante a guerra dos Boers (12 de outubro de 1899 a 31 de maio de 1902).

Mary Elizabeth o acompanhou e ambos desempenharam um papel proeminente no cerco de Ladysmith, onde dirigiu um hospital e realizou cirurgia bem sucedida. Eles voltaram para casa em outubro de 1901.

Em 1903, depois de dirigir um hospital durante a Guerra Boer, Bruce foi nomeado diretor da Comissão de Doença de Dormir da Sociedade Real.

Com Aldo Castellani (1877-1971), Bruce e seus colegas isolaram e descreveram o microrganismo que causou a doença, um parasita tipo verme chamado trypanosome, e com isso provou que a mosca tsé-tsé era o transmissor.

Os Bruces deixaram a África em 28 de agosto de 1903 para continuar seu trabalho sobre a febre de Malta em 1904.

De 1908 a 1910, Bruce se juntou à comissão permanente das Sociedades Reais em Uganda, onde conduziu pesquisas sobre as condições que regem a transmissibilidade de T. gambiense por Glossina palpalis e estudou gado e caça como potenciais reservatórios dos parasitas.

Em 1911, agora nomeado Diretor da Terceira Comissão da Royal Societies sobre a Doença do Sono Bruce foi ao Nyasaland para investigar uma epidemia entre os nativos de Kaviondo, nas margens do Lago Nyasa, cujos bancos estavam cheios de moscas.

Ele reorganizou imediatamente o laboratório, que estava situado a alguma distância do lago. A comissão foi fechada quando um de seus membros, o Dr. Tenente Forbes Tulloch, morreu da doença.

Sir David e Lady Bruce retornaram à Inglaterra em 1913, onde relatou os resultados alcançados por esta Comissão de Doença de Dormir da Sociedade Real nas Conferências Croonianas em 1915.

Lá começou a pesquisa sobre o tétano, nesta época tornou-se comandante na Royal Army Medical College (1914 – 1919), em Millbank (Londres).

Davi Bruce teve o acréscimo de “Sir” ao tornar-se cavaleiro em 1908, Sir David Bruce, além desta grande honra recebeu a homenagem de usarem o seu nome em instituições de ensino como David Bruce Laboratories, em Wiltshire e David Bruce Hospital, em Malta.

Sua maneira abrupta, discurso contundente, e personalidade egoísta tornava-o amado por poucos; Mas suas grandes energias e talentos foram dedicados à saúde e bem-estar da humanidade.

Bruce, que se aposentou em 1919, sofreu infecções pulmonares recorrentes.

Em 1920, as três espécies de bactérias descritas nos estudos receberam o nome de Brucella em homenagem a David Bruce.

No dia 27 de novembro de 1931 veio a óbito, quatro dias depois da morte de sua esposa. Ele morreu pobre e com câncer em seus setenta e sete anos. Antes de morrer, pediu que qualquer relato de seu trabalho reconhecesse a assistência e o apoio de sua esposa.

Sendo assim 30 de seus 172 artigos publicados estava ela citada como colaboradora.

 

Referências

David Bruce Biography (1855 – 1931). Faqs. Disponível em: http://www.faqs.org/health/bios/54/David-Bruce. Visualizado em 11 de fevereiro de 2017.
Sir David Bruce. Whonamedit. Disponível em: http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/871.html. Visualizado em 11 de fevereiro de 2017.
TULLOCH WJ (1955). «Sir David Bruce; an appreciation»: 81–90.
DAVIES M (1955). «A bibliography of the work of Sir David Bruce, 1887-1924»: 122–9.
SACHS A (1951). «A memorial to major-general sir David Bruce, K.C.B., F.R.S»: 293–5.
Castro H.A., González S.R. y Prat, M.I. (2005). Brucelosis: una revisión práctica. Acta Bioquímica Clínica Latinoamericana, 39(2), 203-216.
López M., A., Migranas O., R., Pérez M., A., Magos, C., Salvatierra I., B., Tapia C.,R., Valdespino, J.L. y Sepúlveda, J. (1992). Seroepidemiología de la brucelosis en México. Salud Pública de México, 34, 230-240.
Secretaría de Agricultura, Ganadería y Desarrollo Rural (1995). Norma Oficial Mexicana NOM-041-ZOO, Campaña Nacional contra la Brucelosis en los Animales. México.

 

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Diego Lopes

Técnico em Enfermagem em Site
Formado em Técnico em Enfermagem com eixo tecnológico em ambiente e saúde.
Qualificação profissional em APH - Atendimento Pré-Hospitalar na qualidade de aluno.
Certificado de Honra ao mérito do Coren-RS como aluno que apresentou o melhor desempenho no curso.
Escritor nas horas vagas e fundador do site www.tecnicoemenfermagem.net.br.
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